O que vejo da minha janela está dentro do meu coração!
Ontem, via um jardim maravilhoso, cheio de flores de espécies e cores variadas.
No centro dos meus olhos, um lago de águas azuis da cor do
céu, cheio de cisnes brancos nadando, enfeitando a paisagem e
enfeitiçando meu olhar.
Via também o arco-íris cortando o céu, disputando lugar com o sol.
Nos bancos espalhados pelo jardim, casais de namorados
conversavam, fazendo declarações de amor eterno e outros passeavam de
mãos dadas, aproveitando o pôr do Sol alaranjado.
Nas copas das árvores, um bando de passarinhos gorjeava e
outros enfileiravam nos fios de um lado a outro como se quisessem
celebrar a liberdade comigo.
Os anciãos passeavam com as suas senhoras de braços dados,
com os chapéus nas mãos e um largo sorriso nos lábios, me fazendo
acreditar que a vida no futuro seria muito melhor.
As crianças brincavam na grama com os seus pais, e a alegria era tanta que via por meio delas o futuro dos meus filhos.
Mas hoje abri a janela e não vi mais nada, levei as mãos nos olhos e busquei a esperança de ontem e não a encontrei.
Só consegui ver uma floresta de pedras tentando alcançar o
céu, crianças brincando presas em apartamentos, e outras disputando
lugares nos semáforos da cidade. Os idosos sendo discriminados na
sociedade... Homens e mulheres correndo de um lado para outro em busca
de bens materiais... Ônibus... Carros... E a tecnologia crescendo minuto
a minuto... E nada de cisnes brancos nadando no meu lago azul...
Meu coração se fechou e com ele se foi toda a beleza que via da minha janela.
Autora: Silvia Trevisani
" A poesia é uma casa sem porta e sem janela que todo o Mundo se abriga dentro dela" Silvia Trevisani
A poesia na sala de aula
A poesia é a fala do coração. Use-a para aproximar-se do seu aluno e ajudá-lo a desenvolver o gosto e o prazer pela leitura.
A conquista nasce de um carinho, de um toque, de uma palavra certa na hora certa.
Não desperdice oportunidades. Se for preciso, crie, invente... Deixe a imaginação voar livremente.
"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor ". Madre Teresa de Calcutá.
“Educar é como dirigir em uma estrada cheia de curvas, exige atenção redobrada, pois, à medida que avançamos, um pouco mais nos é revelado". Silvia Trevisani
"Toda mudança começa primeiro em nós".
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terça-feira, 21 de agosto de 2012
terça-feira, 7 de agosto de 2012
O MENINO E A LUA
Sempre que olho para o céu, deslumbro-me com tamanha beleza.Como se não bastasse o sol com seus raios dourados aquecendo-nos e iluminando os nossos dias, temos a claridade da noite enfeitando o céu com o brilho das estrelas e a presença da lua esbanjando graça e formosura, como se fosse um algodão branco a se transformar em anjos.
Parece uma dança de beleza, conquistando o lugar das cores do arco-íris terminando seu enlevo, transferindo para a minha imaginação a mais perfeita obra criada por Deus.
Nesses passeios que os meus olhos fazem pelo céu, brotam em meu coração lágrimas coloridas e brilhantes como se minha alma fosse transportada para a sua imensidão nas asas de um menino.
Deixo nascer em mim aquela criança escondida e a transformo num menino muito feliz correndo solto em minhas veias e fazendo tantas estripulias, que após tanta felicidade dormimos juntos um sono profundo nos braços da imaginação.
Sinto que meu coração foi escolhido para transformar toda a riqueza da natureza em versos. Ao reler, tenho a impressão que eles falam comigo, como se Deus usasse as minhas mãos para escrevê-los, e a essência viesse de algum outro lugar do universo.
É maravilhoso ter esse dom especial de poder transmitir coisas boas de uma forma poética, em que as palavras tocam e calam no coração das pessoas.
Quando descobri que podemos extrair da vida tudo que ela nos reserva de bom, consegui ser mais feliz.
Aprendi que a felicidade é a arte de sonhar.
Silvia Trevisani
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
O uso do "X" e do "CH" no conto: Xandy e Charlize
Quando chegaram, Xandy, logo percebeu que havia uma enxada e perguntou para o caseiro que usava uma camisa xadrez:
- Podemos usá-la para plantar algumas mudas de ameixas que trouxemos dentro dessa caixa?
O homem baixo e que tinha uma mecha de cabelo branco, ficou meio cabisbaixo, mas logo tratou de ajudar no plantio e aproveitar para mexer a terra.
- Escolha um lugar mais alto, aqui neste trecho, quando chove, a enxurrada é muito forte, pode levar as mudas de ameixas água abaixo.
Todos concordaram e subiram para plantar as mudinhas, bem próximo a uma nascente d’ água.
Charlize sentiu frio e voltava a fim de pegar o xale para cobrir os ombros, quando o professor pediu para ela pegar a caixa de agasalhos que estava embaixo da mesa dentro do chalé e que distribuísse aos amigos. Primeiro ela mexeu na caixa e pegou o seu xale.
Quando voltavam, começou uma discussão entre a turma, um deles já se preparava para dar uma chave de ombro no outro quando o professor interviu: - Ou vocês entram no eixo ou vou achar que vocês são frouxos e não se respeitam. – Temos muito que fazer: Ainda temos o campeonato de xadrez, a preparação do chá da tarde, pregar algumas tachas na parede para fixar os trabalhos. Todas as atividades deverão ser feitas com muita paixão. - Não há taxa que pague um momento de reflexão, mesmo que seja com cheque pré-fixado.
O professor aproveitou o momento de interação e pediu para que cada participante falasse da origem e da história de seus nomes. Alguns sabiam outros não, mas foi uma atividade interessante.
Charlize disse que seu nome foi escolhido por seu pai que gostava muito da atriz Sul-Africana Charlize Theron, por sua atuação no filme "Contrato de risco".
Xandy disse que seu nome era uma homenagem ao pensador Xandy Britto, dono da frase: “A esperança nada mais é do que puxar o coração do mundo com a corda da luz”. E completou:
- Eu nasci dessa esperança!
Silvia Trevisani - professora e escritora de Campinas.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Onde Ele mora?
- Ah! Então é por isso que quando cai um avião e ninguém consegue saber a causa, só pode ser um anjo desorientado que acabou trombando com ele. Lógico, como anjo é invisível, o piloto não percebe, nem mesmo os radares captam, a caixa preta também não registra nada, porque nem deu tempo do piloto e co-piloto conversarem sobre o que estava acontecendo. Sabe mãe, não fala para ninguém isso, porque senão os anjos estão fritos, ninguém mais vai querer saber deles.
Nesse dia, Joana só balançou a cabeça e deu risada. Mas hoje Joana está encafifada com a atitude de Ana Maria. A menina está sentada num banquinho no fundo do quintal, o olhar perdido num ponto qualquer, e isso já faz um bom tempo; tanto que vira e mexe Joana chega até o vitrô da cozinha e espia para ver se ela ainda está lá. E lá está Ana Maria do mesmo jeito, pensativa demais.
Joana não aguenta, afinal uma criança de apenas oito anos não pode ficar desse jeito, ainda mais numa manhã tão gostosa como essa; o sol iluminando tudo, o céu tão azul, uma brisa suave balança as folhas do pequeno pé de Manacá que exala um doce perfume. Tudo convida para folguedos. Mas Ana Maria está tão absorta em seus pensamentos, que não consegue perceber nada ao seu redor.
Joana chega até a porta da cozinha e diz: – Ô, filha! Porque você está tão quieta desse jeito, parece que está no mundo da lua. Vem, entra e toma esse suco de laranja que eu acabo de fazer e que você gosta tanto.
- Já vou, mãe! Deixa só eu resolver uma coisa aqui na minha cabeça, que está me incomodando.
- Tá bom! Mas não demora, viu? Senão sua irmã Catarina vem e toma a sua parte. Você sabe como ela é gulosa.
Joana entra, mas fica no vitrô espiando preocupada.
Passado alguns minutos Joana percebe que Ana Maria se movimenta, e trata de disfarçar para que a menina não perceba sua curiosidade.
Ana Maria entra e pede logo o suco de laranja. Toma quase de um fôlego só, coisa que Joana a repreende.
Limpando a boca com as costas da mão, Ana Maria fala: – Mãe…
Mas é interrompida por Joana que mais uma vez chama a sua atenção…
- Você não sabe que e muito feio limpar a boca desse jeito? Pega um guardanapo de papel, menina!
- Tá bom, tá bom! Mas agora já foi e eu quero te perguntar uma coisa.
Joana balança a cabeça em sinal de desaprovamento, mas acaba deixando que a menina pergunte, afinal está curiosa para saber o motivo de tanto tempo sentada naquele banquinho.
Sabe mãe, eu queria saber se a senhora sabe onde Deus mora. A senhora sabe?
- Lógico que eu sei, assim como todo mundo sabe. Deus mora no céu.
- Engano seu, Deus não mora no céu…
- Ana Maria, eu aqui preocupada e você vem com essa agora?
- Mãe, Deus sabe de tudo, não é isso que a senhora diz? Ele sabe quando estamos certos, sabe quando estamos errados, sabe quando estamos tristes, fica feliz quando estamos felizes, isso quer dizer que Ele está sempre presente, e isso é com tudo que Ele criou. Então mãe, eu pensei, pensei… E cheguei a seguinte conclusão:- Deus não mora no céu, Ele mora dentro de todos nós, dentro de todas as coisas que Ele criou. Ali sentada no banquinho, eu vi Deus passar quando um passarinho voou por cima da nossa casa, eu vi Deus dançar quando as folhas do Manacá balançaram, quando o Bem-te-vi cantou, era Deus cantando, e quando a senhora me chamou para tomar o suco de laranja, era Deus dentro da senhora que estava preocupado comigo. Sabe mãe, não vou mais ter medo de dormir por causa do escuro, porque agora eu sei que Deus vai estar dormindo comigo. E agora vou brincar, porque Deus está querendo brincar comigo. Tchau mãe!
Ana Maria sai correndo e chama por suas irmãs.
Lágrimas rolam pelas faces de Joana que nesse momento diz baixinho: “Obrigada Senhor, por morar conosco”.
de Eneida Tagliolatto - escritora e artista plástica - Campinas SP.
Imagem: http://construindosentidos.blogspot.com/2010_09_01_archive.html
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