A poesia na sala de aula

A poesia é a fala do coração. Use-a para aproximar-se do seu aluno e ajudá-lo a desenvolver o gosto e o prazer pela leitura.
A conquista nasce de um carinho, de um toque, de uma palavra certa na hora certa.
Não desperdice oportunidades. Se for preciso, crie, invente... Deixe a imaginação voar livremente.


"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor ". Madre Teresa de Calcutá.

“Educar é como dirigir em uma estrada cheia de curvas, exige atenção redobrada, pois, à medida que avançamos, um pouco mais nos é revelado". Silvia Trevisani

"Toda mudança começa primeiro em nós".

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DEGUSTAÇÃO DE VINHO DE MINAS - LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO


- Hummm...
- Hummm...

-Eca!!! - Eca?! Quem falou Eca?
- Fui eu, sô! O senhor num acha que êsse vinho tá com um gostim estranho?
- Que é isso?! Ele lembra frutas secas adamascadas, com leve toque de trufas brancas, revelando um retrogosto persistente, mas sutil, que enevoa as papilas de lembranças tropicais atávicas...
- Putaquepariu sô! E o senhor cheirou isso tudo aí no copo?!
- Claro! Sou um enólogo laureado. E o senhor?
- Cebesta, eu não! Sou isso não senhor!! Mas que isso aqui tá me cheirando iguarzinho à minha eguinha Gertrudes depois da chuva, lá isso tá!
- Ai, que heresia! Valei-me São Mouton Rothschild! - O senhor me desculpe, mas eu vi o senhor sacudindo o copo e enfiando o narigão lá dentro. O senhor tá gripado, é?
- Não, meu amigo, são técnicas internacionais de degustação entende? Caso queira, posso ser seu mestre na arte enológica. O senhor aprenderá como  segurar a garrafa, sacar a rolha, escolher a taça, deitar o vinho e, então...
- E intão moiá o biscoito, né? Tô fora, seu frutinha adamascada!
- O querido não entendeu. O que eu quero é introduzi-lo no...
- Mais num vai introduzi mais é nunca! Desafasta, coisa ruim!
- Calma! O senhor precisa conhecer nosso grupo de degustação. Hoje, por exemplo, vamos apreciar uns franceses jovens...
- Hã-hã... Eu sabia que tinha francês nessa história lazarenta...
- O senhor poderia começar com um Beaujolais!
- Num beijo lê, nem beijo lá! Eu sô é home, safardana!
- Então, que tal um mais encorpado?
- Óia lá, ocê tá brincano com fogo...
- Ou, então, um suave fresco!
- Seu moço, tome tento, que a minha mão já tá coçando de vontade de meter um tapa na sua cara desavergonhada!
- Já sei: iniciemos com um brut, curto e duro. O senhor vai gostar!
- Num vô não, fio de um cão! Mas num vô, messs! Num é questão de tamanho e firmeza, não, seu fióte de brabuleta. Meu negócio é outro, qui inté rima com brabuleta...
- Então, vejamos, que tal um aveludado e escorregadio?
- E que tal a mão no pédovido, hein, seu fióte de Belzebu?
- Pra que esse nervosismo todo? Já sei, o senhor prefere um duro e macio, acertei?
- Eu é qui vô acertá um tapão nas suas venta, cão sarnento! Engulidô de rôia! - Mole e redondo, com bouquet forte?
- Agora, ocê pulô o corguim! E é um... e é dois... e é treis! Num corre, não, fiodaputa!  Vorta aqui que eu te arrebento, sua bicha fedorenta!...
Luiz Fernando Veríssimo

Trabalhar o texto de forma mais descontraída. Tive que colocar no blog. Estou trabalhando com meus alunos o "sentido do texto" Quer exemplo melhor que esse?

quarta-feira, 25 de abril de 2012

VIDA

                      louca 
                                              pouca
 rouca
                                              plural
original
                                                              marginal
perseguida
                                                                      prometida
adquirida
                                                                            destinada
sequestrada
                                                                 obstinada
 quadrada
                                                 letrada
 desejada
                                amanhecida...

de Silvia Trevisani

segunda-feira, 23 de abril de 2012

SEM TEMPO PARA SER CRIANÇA

 
Corro, danço e jogo bola,
tenho atividades de montão.
Quando vou à escola,
estou cansado e com exaustão.
Essa vida de criança moderna,
não é tão fácil assim.
Fico até com dor na perna,
essa vida não dá pra mim.
Criança deve fazer atividade,
com limite e moderação.
Exercício sem qualidade
tira os pezinhos do chão!
Muitas atividades
sem regras e com violação,
deixa a criança estressada,
achando que está voltando,
o tempo da escravidão.

http://escritorasilviatrevisani.blogspot.com/
de Silvia Trevisani

quinta-feira, 19 de abril de 2012

ÍNDIO

Índio pequeno
criança inocente
Eu grito e aceno...
cadê nossa gente?
Índio grande,
qualquer ser humano
é homem valente
não é insano.
Índio homem
de qualquer região
é cultura é riqueza...
é nosso irmão!
Índio que desaparece,
menino que não cresce
é descaso da Nação.
É preconceito...
É discriminação!
de Silvia Trevisani