A poesia na sala de aula

A poesia é a fala do coração. Use-a para aproximar-se do seu aluno e ajudá-lo a desenvolver o gosto e o prazer pela leitura.
A conquista nasce de um carinho, de um toque, de uma palavra certa na hora certa.
Não desperdice oportunidades. Se for preciso, crie, invente... Deixe a imaginação voar livremente.


"Sei que meu trabalho é uma gota no oceano, mas sem ele, o oceano seria menor ". Madre Teresa de Calcutá.

“Educar é como dirigir em uma estrada cheia de curvas, exige atenção redobrada, pois, à medida que avançamos, um pouco mais nos é revelado". Silvia Trevisani

"Toda mudança começa primeiro em nós".

terça-feira, 7 de agosto de 2012

MENINO DE RUA - SONHOS E TRAPOS


 

Sou um andarilho de pés nus,
de peito rasgado pelo sofrimento,
cabelos desalinhados pelo vento.
Sou um menino quase barbado,
um tanto violentado e sem sentimento.
Sou um ser apagado da sociedade,
um delinquente discriminado e valente.
Um menino sem sonhos e sem vaidade.
Estou desfigurado,
um menino em trapos,
que dorme em papelão puído.
Sou nada que me respeitem,
vagabundo, favelado,
rejeitado no meu canto poluído.
Não tenho cultura,

muito menos faculdade,
deste mundo fui excluído,
com tão pouca idade.
Nasci e fui abandonado,
no banco da praça largado.
As cores da minha vida foram apagadas,
com os chicotes das madrugadas.
Não sinto os sabores,
nem o calor de um abraço amigo.
Minha pele tem cicatrizes,
que não foram eu que fiz.
Se quer um mundo mais humano,
não cometa mais engano
ajude um menino de rua,
ser um pouco mais feliz!


de Silvia Trevisani

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

POSSO...

  
Posso beber minhas ideias,
Posso desabotoar minha vida.
Posso tatear meus sentidos,
Posso enxugar meus espaços.
 
Posso lamber meus desejos,
Posso laçar meus pecados.
Posso consertar meus medos.
Posso travar minha ira,
Posso escolher meus acertos.
Posso cobrir minhas mentiras...
Posso embalar o concerto
Posso desenhar meus consertos.

de Silvia Trevisani

terça-feira, 31 de julho de 2012

SOU UMA MULHER

Não sou assim tão frágil,
Não sou assim tão boa.
Sou uma mulher muito ágil,
forte e que ri atoa.
Não sou nenhuma rosa,
não fui feita para adoçar.
Às vezes, sou furiosa...
basta me provocar.
Sou uma mulher,
e preciso ser respeitada.
O resto, faça como quiser...
não preciso de mais nada.
Trabalho para viver...
e isso não me intimida.
O que me faz sofrer,
Entenda: É ser reprimida!
 
de Silvia Trevisani

quinta-feira, 26 de julho de 2012

CORAÇÃO DELICADO

Sabe quando o coração está triste,
precisando de acalento?
É uma dor que resiste,
não se move com o vento.
É uma coisa entravada...
no fundo do coração.
Que precisa ser lavada,
ou então, tirada com a mão.
Coração é delicado,
não aguenta ser machucado,
muito menos perfurado,
assim, sem muita razão.
A tristeza entrou e se acomodou,
como se fosse um passarinho.
Nem que eu bata as minhas asas,
sei que vou voar sozinho.


de Silvia Trevisani

quinta-feira, 19 de julho de 2012

CASA MALUCA

Na casa da Amanda
é uma bagunça,
todo mundo manda!
A menina fica zangada,
faz birra e esperneia
mas ninguém vê
ninguém faz nada.
A casa da Amanda,
fica na beira do rio,
tem gato e cachorro,
pai, mãe,
avó, avô e tio.
Todo mundo fala alto,
é tudo na gritaria,
o avô de Amanda é surdo,
é uma grande baixaria.
A menina corre para o campo
para escapar do barulho,
no campo encontra um canto,
para ler e dar um mergulho.

SILVIA TREVISANI

quarta-feira, 11 de julho de 2012

SONHOS

 SONHOS

 

 

"SONHOS SÃO BORBOLETAS QUE QUANDO VOAM POUSAM NOS OMBROS AMIGOS" 

Silvia Trevisani

A ARTE DE CONTAR HISTÓRIA

A arte de incentivar jovens à boa leitura


Professora Sílvia Trevisani usa a encenação e a contação de histórias para atrair e formar os pequenos leitores


09/07/2012 - 21h17 .
Fabiano Ormaneze   ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ANHANGUERA  

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Professora Sílvia Trevisani entretém alunos durante atividade na casa ecológica do Colégio Ave Maria: história leva ao interesse por livros
(Foto: Edu Fortes/AAN)






Com um jeito lúdico, divertido e interativo de retomar a antiga tradição de contar histórias para crianças, a professora Sílvia Trevisani tem conseguido resultados rápidos na tarefa nem tão fácil de cativar e formar leitores no Brasil, principalmente com tantos concorrentes como a televisão e as tecnologias. O trabalho dela, que também é escritora, começou na pós-graduação em psicopedagogia e já foi realizado em várias escolas particulares e organizações não governamentais (ONGs) de Campinas.
Depois de se formar em letras, Sílvia foi cursar a especialização em psicopedagogia na Unidade 4 da Faculdade Anhanguera de Campinas (FAC), onde, agora, já com o curso concluído, leciona na graduação em pedagogia, na área de leitura e produção de textos. “Quando eu estava na pós-graduação, um dos trabalhos que precisei fazer foi desenvolver uma atividade que pudesse ser aplicada a crianças com dificuldades de aprendizagem”, lembra. Sílvia pensou então que, para estimular a leitura, antes, era necessário mostrar que o livro pode ser uma boa opção de entretenimento. “De um modo geral, as pessoas associam a leitura a uma atividade enfadonha, ligada a trabalho e à sala de aula”, afirma. A proposta de contar histórias, misturando um pouco de encenação, chamou a atenção dos colegas de turma, muitos deles já professores, que passaram a convidá-la para se apresentar nas escolas que lecionavam. Daí para frente, não parou mais.
Embora dê aula no Ensino Superior, o trabalho de incentivo à leitura de Sílvia continua focado no Ensino Fundamental. Quando uma escola a convida para contar histórias, ela primeiro faz uma análise da realidade dos alunos. “Assim, procuro escolher um livro que possa interessar e que esteja, de alguma forma, relacionado ao contexto daquelas crianças”, diz. Depois, conversa com a professora responsável pela turma e sugere algumas atividades que possam ser desenvolvidas na sala de aula e já insiram as crianças na história que ouvirão. Pode ser pintura, a leitura de um trecho ou até mesmo uma música.
Na última sexta-feira, Sílvia desenvolveu seu projeto no colégio Ave Maria, no Centro. Ela também é funcionária da escola, mas no setor administrativo, trabalho que já desenvolvia antes mesmo de entrar na graduação, que só teve oportunidade de começar há seis anos. O período de férias continua com uma série de atividades na escola, principalmente, para atender a crianças cujos pais estão trabalhando. No Ave Maria, Sílvia decidiu contar a história Semente da Verdade, um conto do folclore oriental, recontado por vários autores brasileiros.


Ética
Na narrativa, um imperador sem herdeiros está preocupado com quem possa se tornar seu sucessor e decide fazer uma espécie de concurso. Para isso, chama todos os jovens do reino e entrega uma semente para cada um deles. Pede, então, aos candidatos que voltem em um ano, com os vasos que cultivaram. As sementes, no entanto, eram estéreis, mas todos os jovens, com exceção de um, forjaram belos vasos. O rei optou por aquele que foi honesto. “Essa história é interessante para trabalhar com crianças, porque trabalha com valores”, explica Sílvia.
Para que o papo com a garotada não fique chato e cheio de lições de moral, a professora conta a história encenando alguns trechos e solicitando às crianças que deem suas opiniões sobre que rumo a narrativa deve tomar. No caso de sexta-feira, ela pedia, por exemplo, que as crianças ajudassem o rei a decidir qual dos jovens deveria ser escolhido. Como no conto original, a honestidade venceu. Para dar mais dinamismo, Sílvia utilizou vasos de brinquedo e flores para encenar trechos. A atividade foi desenvolvida num lugar bastante propício: uma casa sustentável, feita com reaproveitamento de materiais, tijolos e telhados ambientalmente corretos. No final, a criançada estava curiosa: “Mas toda essa história está no livro?”, perguntou um. “Como o imperador era? Gordo? Magro? Quero saber mais”, pedia outro. A resposta de Sílvia já estava pronta: “Agora, para saber o resto da história e descobrir muito mais coisas, vocês podem ler o livro”.
Sílvia também sempre está com a obra original em mãos e gosta de destacar os nomes dos autores e ilustradores. Escritores como Ruth Rocha, Ziraldo e Ana Maria Machado, assim, vão se tornando conhecidos entre as crianças. “Elas vão entrando no universo da leitura, com aprendizado e como se fosse uma grande brincadeira”, diz.

Fabiano Ormaneze  ESPECIAL PARA A AGÊNCIA ANHANGUERA  

domingo, 8 de julho de 2012

TEU MAR

 
Da janela do teu mar,
onde se pôs a fantasiar
o teu próprio tear,
manuseando tua rede
e o teu pensar.
Também fiquei fantasiando,
para o mar infindo olhando...
querendo entender seu derramar,
e assim, somente abarcar.
Tu vistes peixe, pedra e alga
eu vi nada mais que uma alma,
aflorando, abordando de si mesmo,
estafado, porém, grato...
sentindo a vida transpassar.
Suportou o fio da tua rede,
sobreviveu da sede
e da fome de sonhar!


de Silvia Trevisani

quarta-feira, 4 de julho de 2012

AMO O BRASIL

Por que amo o Brasil?
Perguntaram-me com ironia.
Respondi em tom civil,
e com muita alegria.
Amo o Brasil porque sou brasileira,
Porque nessa terra, nasceram meus filhos,
e aqui foram criados e educados.
Aprendi que ser brasileira não é ser qualquer coisa.
Eu sou brasileira por convicção...
Qual outro País eu amaria se não fosse o Brasil?
Seria o paraíso se não houvesse corrupção,
e defendo essa utopia com o coração.
No entanto, não é desfazendo da minha Pátria,
que vou trazer a solução.
Fazem tantas propagandas das falcatruas,
enquanto tantas maravilhas passam despercebidas.
Tenho muito mais motivos para amar,
do que para criticar.
O imperfeito foi gerado pelo homem.
O perfeito foi instituído por Deus
O ódio é traço do homem...
O amor é a linha de Deus!
Amo o Brasil e todas as suas cores,
Sou brasileira e sofro em meio às dores.
“Sou um pequeno grão de areia”,
Disse Madre Teresa de Calcutá...
Tenho o Brasil na veia.
Então, já somos duas para tentar mudar!

AMO O BRASIL!

de Silvia Trevisani

sábado, 30 de junho de 2012

PENSO


Penso que seria menos cruel
se o homem acreditasse na paz.
Penso que seria mais fiel
se eu fosse mais capaz.
Penso que seria mais feliz
a criança que pudesse brincar.
Penso que a vida é um giz
que a qualquer momento pode se apagar.
Penso que a educação seria mais eficaz,
se o homem fosse capaz de mudar.
Penso que o idoso viveria mais,
se ele pudesse trabalhar.
Penso que o mundo seria melhor,
se eu pudesse ajudar.
Penso que pensar é perda de tempo,
que eu preciso mesmo é começar!

Silvia Trevisani

segunda-feira, 25 de junho de 2012

MEU

Suavemente despertei de uma noite
Inacreditavelmente bela,
Longa, aconchegante.
Viver é fácil magia...
Intensa que contagia,
Agora é a melhor hora para viver.

Tem hora que acreditamos,
Rimos e despistamos o agouro...
Evitamos encontros
Vivemos desviando o destino
Inconsciente, ciente, presente...
Safamos desabores,
Agarramo-nos em amores
Nesse meu aniversário
Iniciei sem amarguras e sem dores.
Silvia Trevisani

sexta-feira, 22 de junho de 2012

PROCURO

Procuro nos olhares,
a cor mais vibrante,
assim como os mares
como o vento uivante.
Procuro janelas
nas visões sombrias
e encontro nelas
vidas vazias.
Procuro nas mãos
gestos humanos
encontro nos corações
homens insanos.
Procuro em mim
um chão seguro
descubro assim,
um mundo obscuro.
Procuro na lama
o meu eu mais puro
encontro a chama
do meu canto escuro.
de SILVIA TREVISANI

quinta-feira, 7 de junho de 2012

PARA PENSAR

                                                           Acredite...
                                                                              Eu
                                agora
                                                                                       vou
                          pensar
                                                                                               em
                                                                                                    mim
                                                        para
                                                                                           depois
                                                       pensar
                                                                                        em
                       você
                                                                               Nada
                                                                     

                                                    do
                                                                    que
                                                                 sou
                               interessa
                                                             para
                                                   nós!
                                                         











quinta-feira, 17 de maio de 2012

DIAS DE SOL

D eitei-me exausta,
 I ndagando mil coisas diferentes.
  A dormeci brevemente.
C alculei doze horas de sono,
 H oje, restabelecida volto a escrever minhas ideias.
   U ma gota de chuva desfila na vidraça embaçada,
     V asculhando meus pensamentos...
       O ndas de calafrio percorrem meu corpo,
         S ozinha, nada interrompe esse momento.
           O vento bate em minha janela,
E namorando uma manhã sombria.
 E tudo aquilo me estimulou e relaxei.
  S egura, a chuva caia de mansinho e constante,
    P ingo a pingo... Gota a gota.
     E scorria nos vitrais e nos beirais
      C aia nos quintais...
        I nsolente, vagarosamente,
         A calentando-me e...
           L embrando-me dos dias de sol!


de Silvia Trevisani

VAMOS COLORIR O NOSSO CÉU

 
 Que bom ficar com você,
Que bom te conhecer.
A cor dos seus olhos
é a mesma da sua vida.
Que bom que você veio,
Que bom que estamos aqui!
Vamos pintar nossa história juntos
e mudar a cor dos nossos olhos?
O alimento é amarelo
O amor é rosa
A amizade é laranja
A moradia é azul
A segurança é verde
A família é multicolorida
lembra o arco-íris.
A escola é a tinta
O professor é o pincel.
Eu sou o professor
e você o aluno,
Juntos vamos colorir
a sua vida e o nosso céu.
 
de Silvia Trevisani

sábado, 12 de maio de 2012

DIREITO DE VIVER

"A experiência de viver nos dá alguns direitos; Como o direito de viver uma experiência, ou não".
de Silvia Trevisani

quinta-feira, 10 de maio de 2012

OBRIGADA MAMÃE!

 
Obrigada por ser minha mãe todos os dias e abrigar-me dentro de si, 
ao nascer, continuei lá...aconchegada em seu coração;
Obrigada por oferecer-me leite quentinho nas noites e nas madrugadas frias.
Por embalar-me em seus braços frágeis, sempre incansáveis e batalhadores.
Vou contar-lhe um segredo:

- Você é a mãe mais linda do mundo.
Comparei-a com as outras e você ganhou em primeiro lugar.
Seus olhos são brilhantes e suas mãos macias, sua boca é um coração, e seu coração é uma oração!
Você tem cheiro de primavera.
Obrigada por encher a casa com cheirinho de bolo, 

pão de queijo e chá de hortelã, 
e nos domingos em família, com carinho, preparar aquele macarrão.
Sabe mamãe, no meu primeiro dia de aula, estava tensa e meu coração saltava pela boca.
Quando segurou minha mão, encorajou-me com sua proteção.
Você escolheu guiar-me, e meu caminho é cheio do amor de Deus.
Obrigada por ficar comigo nos momentos difíceis, 

de sorrir e agradecer a Deus nos momentos de alegria.
Às vezes fico muda, mas...

É a emoção de tê-la como minha mãe.
 

Um carinho para todas as mães do mundo, o "Ser" mais completo que Deus colocou na terra.

Silvia Trevisani - Escritora e professora de Campinas

quarta-feira, 9 de maio de 2012

BONECA DE PANO

Sou uma boneca sem eira,
que surgiu por engano,
dos retalhos das costureiras,
nasceu a boneca de pano.
Com linhas grossas e finas,
uniram-se os tecidos.
Ponto baixo, ponto alto
foram fazendo o serviço.
Fui costurada à mão,
e com lãs fizeram minhas tranças.
Faço parte deste então,
do mundo das crianças.
 
de Silvia Trevisani

quarta-feira, 2 de maio de 2012

QUERIA

 
Queria muito seu dengo
Seu cheiro...
Seu carinho esquecido.
Seus beijos adormecidos.
Queria deitar na sombra
das suas primaveras,
e colher o néctar
 nas relvas dos seus sonhos.
Queria apertar sua mão,
nas noites frias de solidão,
 aconchegada ao seu coração.
Queria escrever,
e viver o que escrevo
sem você na contramão...

de Silvia Trevisani

MOTE: DESCOBERTA


A criança que dorme em nós
Sempre acorda na hora certa
Não importa como ela acorda
O que vale é o que desperta
Seja em nós ou em quem nos rodeia
Nem exige que se esteja alerta
Felizes sempre estaremos
Pelo prazer de uma nova descoberta (Márcio Soares)
 

A nova descoberta é aceita,
de maneira muito original.
Um flerte e já se deleita...
renova e ponto final.
Quem nos rodeia,
não acredita no que vê.
Sempre escreve o nome na areia,
fingindo que alguém o lê.(Silvia Trevisani)